Intelectuais, cientistas,
lideranças sociais, religiosas, políticos e artistas, ao lado do ex-presidente
Lula, lotaram o Teatro Oi Casagrande, na Zona Sul do Rio de Janeiro, em ato de
apoio à candidatura de Dilma Rousseff à presidência. Reforma política e
maiores investimentos em cultura e educação, principalmente relacionados à
valorização dos professores, e necessidade de continuação dos avanços
conquistados dominaram os discursos.
“Não vamos voltar para
trás, e faremos isso investindo em educação qualificada, para todos, e
colocando a cultura dentro da nossa estratégia de crescimento e desenvolvimento
econômico. Não queremos só obras, queremos utopias. Não queremos só vantagens
materiais, queremos nos compreender”, disse Dilma. "Vamos colocar a
Cultura dentro da nossa estratégia de crescimento econômico”, salientou.
Primeiro, no entanto,
conforme frisou o ex-presidente Lula, é preciso fazer a reforma política. Ele
enumerou a partir deste ponto uma série de medidas necessárias para a
continuidade de transformações. Com críticas à grande imprensa - "Não se
discute mais economia, agora tudo é com analista de mercado" -, ao próprio
partido - "Cada um tem seus defeitos e suas virtudes"- e ao discurso
dos candidatos de oposição, o ex-presidente buscou apresentar a importância do
novo olhar às camadas mais pobres e defendeu um possível fim dos financiamentos
privados de campanhas políticas.
"Nós temos uma
pobreza histórica que nós temos que recuperar." A saída, apontou, seria o
maior acesso dos brasileiros à educação, lembrando do acesso das classes mais
baixas às universidades, inclusive em instituições do exterior, a partir de
programas como o Ciência sem Fronteiras. Enquanto antes o discurso predominante
na sociedade brasileira era que "pobre nasceu para ser pobre" e de
que era possível traçar o nível de escolaridade de uma pessoa a partir da cor
de sua pele, por exemplo, "a não ser que se tratasse de filho de jogador
de futebol ou de artista famoso", hoje já não é mais possível se basear em
tais critérios, acredita o ex-presidente.
Sobre a candidata à
presidência que disputa a corrida eleitoral com Dilma Rousseff, Lula comentou:
"Eu tenho dito pra todo mundo que eu não vou falar mal da Marina. Agora,
hoje eu não falei mal dela, eu apenas falei que governar este pais é tão importante
que é um cargo que não deve ser terceirizado. A gente tem que decidir a cada
hora, você não tem tempo de ficar processando, processando. Tem uma hora que
tem que tomar decisão", criticou, falando ainda sobre a necessidade de se
governar com uma base aliada e sobre a principal qualidade de Dilma Rousseff
que o conquistou, a lealdade.
"Com a capacidade
de elaboração da Dilma, eu não conheço ninguém igual. (...) Muita gente diz que
ela é durona, mas hoje, no Brasil, não tem ninguém com a qualidade dessa companheira
para enfrentar este mundo perverso que está aí, com a crise econômica."
O teólogo Leonardo
Boff, colunista do Jornal do Brasil e um dos que lideram o manifesto em prol da
candidatura da petista, o cantor Chico César e a filósofa Marilena Chauí destacaram
as mudanças promovidas desde a entrada do Partido dos Trabalhadores no poder.
Para a filósofa
Marilena Chauí, a Eleição deste ano convoca os intelectuais, artistas e
cientistas a se posicionarem em defesa de um projeto que transformou o Brasil.
“Corremos o risco de uma aventura regressiva. Que essa aventura não venha como
um tsunami destruir o que construímos nos últimos anos”, destacou.
O teólogo Leonardo Boff
também abordou a revolução que os governos Lula e Dilma promoveram no Brasil.
“Lula e Dilma fizeram uma revolução pacífica e democrática que nunca houve no
nosso país. Atenderam às aspirações nunca atendidas de um povo. Estas
conquistas de 12 anos devem ser assumidas por todos nós, que devemos lutar para
conservá-las e enriquecê-las”, disse, sinalizando ainda a necessidade de
investimento na Cultura e de distribuição de terras e melhor planejamento das
cidades.
"Há pessoas por aí
lançando borboletas fantasiosas, mas que se esquecem de plantar as flores para
que as borboletas venham. Lula e Dilma plantaram esse jardim para que viessem
as borboletas verdadeiras e não as virtuais", completou Boff.
O músico Chico César
ressaltou a presença no ato de representantes de diferentes segmentos culturais
do país, como do carimbó e do Maracatu. "Tivemos nos últimos 10 anos essa
inclusão social através da cultura. Quando a professora Marilena Chauí fala de
uma modificação no mapa social do Brasil, nós que fazemos cultura percebemos
que temos a obrigação moral de defender essas mudanças. Não podemos nos deixar
conduzir por nenhum tipo de aventura ou de desventura. Sonhar não quer dizer
não ter juízo", declarou.
Chico César falou
também sobre a melhor distribuição de recursos para agentes culturais fora do
eixo Rio-São Paulo. "Artista não pode ser alienado, cultura é para
incluir", completou.
O manifesto intitulado
"A Primavera dos direitos de todos: ganhar para avançar", que já
circulava na internet com nomes como Luis Fernando Veríssimo, Frei Beto, Paulo
José e Flávio Aguiar, abriu o evento. "Nós consideramos que nunca o Brasil
havia vivido um processo tão profundo e prolongado de mudança e justiça social,
reconhecendo e assegurando os direitos daqueles que sempre foram
abandonados", diz um dos trechos do documento. "Abandonar esse
caminho para retomar fórmulas econômicas que protegem os privilegiados de
sempre seria um enorme retrocesso.".
Em seu discurso, Dilma
se comprometeu a usar a Cultura para promover Educação e fortalecer a economia
brasileira. “A cultura faz parte da nossa projeção de nação". De acordo
com ela, o setor pode ser beneficiado pelo Pré-Sal, pelo programa Brasil de
Todas As Telas, lançado neste ano para estimular a produção de conteúdos
nacionais de audiovisual, e pelo subsídio a projetos culturais pelo BNDES. “Não
tem como fazer sala de cinema com o prefeito pagando juros de mercado. E ainda
tem gente querendo acabar com o subsídio federal”, comentou.
A educação brasileira,
que foi colocada como principal beneficiada pelos futuros frutos do pré-sal,
também deve receber maior atenção, disse a candidata, com os professores
recebendo um salário adequado.
Dilma também aproveitou
para ressaltar sua crítica à proposta da campanha de Marina Silva em relação ao
Banco Central: "É estarrecedor que se coloque a independência do Banco
Central como um objetivo de governo."
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