Interrogado na quarta-feira (8) pelo juiz Sérgio Moro, da 3ª
Vara Federal do Paraná, Paulo Roberto declarou que, fora da Petrobras, o cartel
opera em obras como ferrovias, hidrovias, portos e aeroportos. A cartelização
resulta, segundo ele, numa elevação dos preços das obras, que ele chama de
“delta preço excedente”. Coisa de 10% a 20% sobre o valor orçado. Resulta
também num “ajuste político” —3% de acréscimo no caso das obras da Petrobras.
Esse percentual compunha a propina paga a “agentes políticos”.
O ex-diretor da Petrobras, agora um corrupto confesso,
mencionou três partidos que se beneficiaram das propinas: PP, PT e PMDB. No PP,
cuidavam dos negócios o ex-líder na Câmara José Janete, morto em 2010, e o
doleiro Alberto Youssef. No PT, o operador era o tesoureiro da legenda, João
Vaccari. E no PMDB, o responsável chamava-se Fernando Soares. Em nota, o PT
tachou as afirmações de “caluniosas“.
Paulo Roberto depôs sob o compromisso de dizer a verdade. Do
contrário, corre o risco de perder os benefícios de um acordo de delação
premiada que firmou com a Procuradoria da República. Revelou ao juiz detalhes
de como era feito na Petrobras o rateio dos 3% referentes à propina dos
políticos.
Explicou que na sua área, a diretoria de Abastecimento, o
dinheiro da corrupção era rateado entre dois partidos: o PP, que o apadrinhou
no posto, levava 1% sobre o valor dos contratos. O PT, que controla a diretoria
de Serviços, responsável pela elaboração dos projetos de engenharia, se
apropriava dos outros 2%.
“Dos 3%, 2% eram para atender o PT, através da diretoria de
Serviços”, esmiuçou Paulo Roberto. “Outras diretorias, como Gás e Energia e
Exploração e Produção, também eram PT. Então, tinha PT na diretoria de Exploração
e Produção, PT na diretoria de Gás e Energia e PT na área de Serviços. Então,
[...] nesses casos, os 3% ficavam diretamente para o PT. Não tinha participação
do PP.”
O delator também declarou que a diretoria Internacional da
Petrobras “tinha indicação do PMDB. Então, tinha também recursos que eram
repassados para o PMDB na diretoria Internacional.”
O senhor recebia parte dos valores desviados da diretoria de
Abastecimento? quis saber o juiz Sérgio Moro. E Paulo Roberto: “Sim. O que
normalmente, em valores médios, acontecia? Do 1% que era para o PP, em média,
obviamente que dependendo do contrato podia ser um pouco mais ou um pouco
menos, 60% vai para o partido, 20% era para despesas —emissão de nota fiscal,
despesa para envio, etc, etc…— e os 20% restantes era repassado 70% pra mim e
30% para o Janene ou o Alberto Youssef.”
0 comentário "Cartel controla obras dentro e fora da Petrobras"
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