SÃO
LUÍS – O ex-diretor da Casa de Detenção (Cadet) do Complexo Penitenciário de
Pedrinhas Cláudio Henrique Bezerra Barcelos, recebeu alvará de soltura, dado
pelo juiz Antônio Luiz de Almeida Silva.
Desde
o dia 15 de novembro, Cláudio Barcelos estava cumprindo prisão preventiva no
Quartel da Polícia Militar, em São Luís, quando foi detido suspeito de
facilitar fugas e saídas de detentos da Cadet, em troca de propina.
De acordo com o juiz, já foram coletados os indícios suficientes
para a conclusão do inquérito e indiciamento do suspeito. O magistrado afirmou
que, como Barcelos não exerce mais a função de diretor, não tem como interferir
nas investigações. Outra justificativa para a soltura do ex-diretor, é que ele
é réu primário, sem antecedentes criminais e possui profissão de bacharel em
Direito.
Entenda
o caso
O
diretor da Cadet foi preso no dia 15 de setembro pela Superintendência Estadual
de Investigação Criminal (Seic). O gestor é suspeito de ter recebido uma
quantia, ainda não divulgada, para garantir a liberação de três presidiários do
Complexo Penitenciário de Pedrinhas. Na quarta-feira (10), um caminhão invadiu
o Complexo Penitenciário de Pedrinhas e derrubou parte do muro dos fundos do
CDP, facilitando a fuga de 36 presos.
Durante coletiva, o delegado Luís Jorge informou que Cláudio
Barcelos responderá por corrupção passiva, prevaricação e facilitação de fuga.
As investigações se iniciaram em junho. Chamou à atenção dos investigadores a
saída de detentos pela porta da frente, além dos alvarás de soltura
falsificados. Ainda de acordo com o delegado, entre ações do diretor, estava a
fraude nas informações no sistema do presídio.
Após a prisão de Cláudio Barcelos, a Secretaria de Estado de
Justiça e Administração Penitenciárias (Sejap) anunciou o nome do Pastor Noleto
Gomes da Silva, o Pastor Noleto, como ocupante do cargo de diretor da Cadet.
Investigações
O delegado André Gossain da Superintendência Estadual de
Investigações Criminais (Seic) falou, em entrevista à rádio Mirante AM no dia
16 de setembro, sobre o depoimento prestado pelo ex-diretor da Cadet.
De acordo com o delegado, o diretor negou ter facilitado a fuga
de três assaltantes de banco. No entanto, para a polícia não resta dúvida de
que ele deu fuga para esses criminosos, recebendo um pagamento de R$ 350 mil.
“Nós temos certeza absoluta da participação do seu Cláudio com
relação à corrupção passiva, prevaricação e facilitação de fuga. Sabemos que
ele recebeu dinheiro de presos para colocá-los em liberdade. Presos condenados
a muitos anos de prisão ou com mandados de prisão preventiva, que jamais
deveriam sair da cadeia”, afirmou André Gossain.
Ainda segundo o delegado, há comprovação de que a quadrilha de
assaltantes de carro-forte pagou R$ 350 mil para o diretor, para ser colocada
em liberdade, e manter os nomes dos criminosos no sistema informatizado da
Secretaria de Estado de Justiça e Administração Penitenciária (Sejap), como se
eles ainda estivessem presos.
O delegado André Gossain afirma que outras pessoas ainda serão
ouvidas. Ele ressalta que a investigação começou a pouco mais de dois meses e
poderia ter tido frutos maiores e mais rápidos, mas, pessoas de dentro da Cadet
deixaram vazar a informação de que havia irregularidades na Casa de Detenção,
como isso, o diretor se desfez de várias provas, o que impediu que outros nomes
fossem logo apontados.
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