MADRI - Um total de 16 pessoas está em observação neste
sábado em um hospital de Madri com suspeita de Ebola, e o número de pacientes
só cresce enquanto o governo espanhol tenta conter críticas sobre como lidou
com o primeiro caso da doença fora da África.
Uma enfermeira que contraiu o vírus após cuidar de dois
padres infectados repatriados para a Espanha continua em estado muito grave.
Teresa Romero, de 44 anos, é até agora a única pessoa que testou positivo para o
Ebola transmitido dentro do país.
A mais recente epidemia da doença já matou mais de 4.000
pessoas, a maioria na África Ocidental, e o caso na Espanha alimentou os
temores de contágio pela Europa. Mais
três pessoas que tiveram contato com Teresa --uma cabelereira, outra enfermeira
e uma faxineira-- deram entrada na unidade de isolamento do Hospital Carlos III
na sexta-feira pela manhã. Até agora, nenhum dos 16 em observação, incluindo o
marido de Teresa, apresentaram sintomas.
O governo espanhol tentou repelir as críticas aumentando os
protocolos de detecção do Ebola na sexta-feira. Além disso, ordenou que a
vice-primeira-ministra, Soraya Saenz de Santamaria, cuide do assunto, cinco
dias depois que o contágio foi confirmado.
Em meio a uma polêmica na Espanha sobre como o vírus pode ter
se espalhado, autoridades inicialmente tentaram colocar a culpa na própria
enfermeira, se apegando à admissão da profissional de saúde de poderia ter
tocado seu próprio rosto com as luvas de seu traje de proteção. Profissionais de saúde vaiaram o primeiro-ministro
espanhol, Mariano Rajoy, na sexta-feira, quando ele chegou ao hospital. Eles
atiraram luvas cirúrgicas em seu carro, enquanto sindicados e a população
também criticaram o governo pela lenta resposta à crise.
Teresa ficou sem diagnóstico por vários dias, apesar de ter
apresentado febre, um dos sintomas do Ebola.
“A má gestão da crise por parte dos políticos foi um solo
fértil para o pânico”, afirmou o jornal El Mundo em editorial publicado neste
sábado, descrevendo o caso de uma escola que queria proibir a filha de uma
enfermeira de ir às aulas, porque ela trabalhava em outro hospital de Madri,
onde Teresa foi tratada pela primeira vez.
Três cabeleireiros estão entre os em observação neste sábado,
depois de Teresa ter ido a um salão de beleza antes de ser diagnosticada.
Os pacientes incluem cinco médicos, um porteiro e quatro
enfermeiras, uma das quais também tinha cuidado de um dos padres repatriados e
testou negativo em exame inicial. Os dois padres morreram.
De acordo com a imprensa espanhola, Teresa está sendo tratada
com ZMab. O remédio é um dos agentes presentes no ZMapp, um tratamento
experimental que foi usado em alguns pacientes com Ebola.
O Ministério da Saúde da Espanha e autoridades hospitalares
se negaram a comentar, enquanto o governo não fez nenhum comentário imediato.
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