'Paulo Roberto Costa fez declarações que podem impactar as
demonstrações contábeis da companhia', relatou a estatal
Brasília - A Petrobras disse nesta
segunda-feira, horas antes de uma conferência para falar sobre o controverso
balanço do terceiro trimestre, que as recentes denúncias de corrupção têm
potencial para impactar as demonstrações contábeis da empresa.
"O ex-diretor de Abastecimento da
companhia, Paulo Roberto Costa, fez declarações que, se verdadeiras, podem
impactar potencialmente as demonstrações contábeis da companhia", disse a
Petrobras em anúncio publicado em jornais nesta segunda-feira.
Costa prestou depoimento com delação premiada à Polícia Federal e à
Justiça em que detalhou suposto esquema de corrupção e desvio de verbas em
contratos da estatal.
Diversos analistas já apontam riscos financeiros crescentes com o
aprofundamento das investigações da operação Lava Jato, da PF, incluindo
eventual necessidade de baixas contábeis envolvendo projetos com suspeitas de
corrupção, o que implicaria em redução de pagamento de dividendos.
Também nesta segunda, a Petrobras informou que sua produção de petróleo
no Brasil subiu 9% no terceiro trimestre em relação a igual período do ano passado,
a 2,09 milhões de barris por dia (bpd), segundo comunicado.
Estatal promete balanço do 3º tri só em 12 de dezembro
A Petrobras descumpriu, na última quinta-feira, o prazo para divulgar o
seu balanço do terceiro trimestre. No caso a estatal irá divulgar apenas no dia
12 de dezembro, quase um mês de atraso em relação ao prazo legal, que venceu na
última sexta.
O adiamento ocorre, segundo a empresa, porque a auditoria precisa de
mais tempo para aprofundar as investigações sobre denúncias de desvio de dinheiro
na estatal.
As empresas costumam informar com antecedência ao mercado quando será
divulgado o balanço, bem como a data da teleconferência para comentar os
resultados.
Em nota, a Petrobras diz que "passa por um momento único em sua
história" e que contratou dois escritórios de advocacia independentes
especializados em investigação — o brasileiro Trench, Rossi e Watanabe
Advogados e o americano Gibson, Dunn & Crutcher LLP — para apurar as
alegações.
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