Debate sobre protesto da dívida ativa em cartórios avança na Corregedoria

Em mais uma rodada de reuniões realizada na manhã desta quinta-feira (04), na Corregedoria da Justiça do Maranhão, a desembargadora Nelma Sarney mostrou estar empenhada para implementar a proposta de cobrança de dívidas junto aos entes estadual e municipal nos cartórios de protesto. A iniciativa visa a desafogar as unidades judiciais competentes para processar e julgar ações relativas à fazenda pública.
Nelma Sarney voltou a destacar que há um movimento nacional que busca o fim da judicialização das ações de execução fiscal, mas que enquanto não se chega a uma solução definitiva, é preciso encontrar caminhos pela via da cooperação. “Nossas unidades judiciais estão abarrotadas de processos de executivos fiscais, que hoje é considerado um grande gargalo nas varas de fazenda. Algumas dessas unidades chegam a receber milhares de petições em uma única remessa, congestionando o trabalho do juiz e prejudicando a oferta dos serviços ao cidadão”, afirmou.
Maria de Fátima Silva, gestora para da Área de Controle e Planejamento da Arrecadação da Secretaria da Fazenda do Estado, elogiou a iniciativa, mas afirmou que é preciso realizar novos encontros para efetivar a proposta. “Vamos marcar nova reunião com os cartorários para definir como operacionalizar esse projeto, já que é preciso haver interligação dos sistemas”, disse.
A diretora do Fundo Especial de Reaparelhamento do Judiciário (Ferj), Celerita Dinorah, disse que a medida vai contribuir para o fortalecimento das serventias extrajudiciais (cartórios) e a consequente elevação da arrecadação do Estado. Ela também destacou que o “efeito do protesto é imediato, levando o contribuinte a resolver sua pendência, pois além de endividado, ele também terá restrições junto ao Judiciário”.
O juiz Raimundo Neris, titular da 5ª Vara da Fazenda Pública, que também participa da formatação da proposta inicial, disse que os cartórios já estão se organizando para atender à demanda. “Formalizada a cooperação entre os órgãos, os cartórios terão condições de fazer um trabalho eficiente, com rapidez e as garantias de segurança necessárias”, enfatizou.
Além dos benefícios já expostos, o cartorário titular do 3º Ofício de Timon e presidente do Instituto de Protestos do Maranhão, Andre Vilaverde, disse que os cartórios dispõem de uma rede interligada eficiente e que haverá benefício para a economia popular, pois – diferentemente daquele que está com o nome negativado junto ao serviço de proteção ao crédito – devedores protestados não podem contrair empréstimos ou realizar outros atos da vida civil. “Isso obriga o devedor a honrar seus compromissos junto ao ente público”, explicou.
Nelma Sarney ainda afirmou que com a implantação da proposta ainda haverá a possibilidade de realizar a conciliação no cartório, antes da efetivação do protesto. “É uma medida que vai contribuir de forma eficiente para a resolução dos problemas das dívidas junto aos entes da Federação. Se após as diversas tentativas de equacionar o débito ou mesmo da impossibilidade de localizar o devedor, será feita a publicação do edital e o protesto do devedor”, finalizou.
Ainda no mês de dezembro, todos os cartórios deverão estar interligados na Central de Remessa de Arquivo (CRA), cuja finalidade é processar e enviar eletronicamente os arquivos aos respectivos cartórios.
Também participaram da reunião o secretário de Fazenda de São Luís, Raimundo Rodrigues; a juíza corregedora Oriana Gomes; procurador Bruno Fonseca; o procurador-chefe da Dívida Ativa do Estado, João Batista Filho; a procuradora Fiscal de São Luís, Anne Karole; e os cartorários Christian Carvalho, José Fecury Neto e Paulo Carvalho.


0 comentário "Debate sobre protesto da dívida ativa em cartórios avança na Corregedoria"

Postar um comentário

Deixe seu comentário

Obrigado por seus comentários