Entrou em vigor nesta quarta-feira
(3) a Lei Antifumo, válida em território
nacional. Pelas novas regras, fica proibido o consumo de cigarros, cigarrilhas,
charutos, cachimbos ou de qualquer outro produto fumígeno em ambientes fechados
de uso coletivo, como bares, restaurantes, casas noturnas e ambientes de
trabalho. A multa, em caso de descumprimento da lei, recai sobre o dono do
estabelecimento comercial, e varia entre R$ 2.000 e R$ 1,5 milhão, até a
suspensão da licença de funcionamento.
A lei 12.546 existe desde 2011, mas
só foi regulamentada em agosto passado, e também proíbe os fumódromos e
propagandas de cigarro.
O fumo será permitido em ambientes
abertos como ruas, calçadas, parques e nas residências.
Para Jefferson Luiz Gross, cirurgião
oncologista e diretor do Núcleo de Pulmão e Tórax do A. C. Camargo Câncer
Center, em São Paulo,a lei é essencial para diminuir a exposição dos fumantes
passivos.
"A importância maior da lei é
proteger o não fumante dos riscos causados pelo tabaco. Esse risco é menor do
que em alguém que fuma, mas é um risco aumentado", diz.
Segundo dados do INCA (Instituto
Nacional de Câncer), o tabagismo passivo é responsável por sete mortes por dia
no país, em uma pesquisa que considera apenas a exposição passiva ao cigarro em
casa, segundo dados de 2012.
Apesar de os dados sobre as mortes de
fumantes passivos não ter a abrangência sobre as mortes decorrentes de
exposição em ambiente de trabalho, estudos mostram que trabalhadores não
fumantes expostos à fumaça do tabaco consomem involuntariamente de quatro a 10
cigarros por dia.
Garçons não fumantes que trabalham em
ambiente com fumaça apresentam duas vezes mais chances de desenvolverem câncer
de pulmão do que os não expostos.
Pode ou não pode? Veja o que
muda com a Lei Antifumo
·
Não pode
·
Pode
·
Fumódromo
Não será permitido o uso de espaços
separados especialmente para fumantes
·
Lugares abertos
Parques, ruas, calçadas, desde que
abertos sem paredes, divisórias ou toldo
·
Propaganda
Fica proibida a propaganda de
cigarros, permitidas apenas no ponto de venda
·
Arte
Em estúdios e locais de filmagem, em
função da obra produzida
·
Ambientes fechados
O fumo é proibido em locais fechados
de uso coletivo
·
Religião e Saúde
Em cultos religiosos e em tratamentos
de saúde
·
Cigarros para fora
Cigarros e produtos relacionados
devem ficar dentro do estabelecimento
·
Laboratórios
Em locais de pesquisa e
desenvolvimento de fumígenos
·
Embalagens sem aviso
A partir de 2016 será obrigatório
aviso que ocupe 30% da frente
·
Tabacarias
É necessário que tenha instalações
para isolamento, ventilação e exaustão
·
Venda para menores de 18 anos
Venda para menores serão punidas
·
Residência
Fumo é liberado em casa
Segundo o instituto, o tabagismo mata
200 mil pessoas por ano no Brasil, 552 por dia. O tipo de câncer que mais mata
no país é o de pulmão, e cerca de 90% dos casos são ligados ao tabagismo.
A estimativa do INCA para 2014 é de que 27.330 novos casos de câncer de pulmão
sejam registrados no país.
Anualmente, o SUS (Sistem Único de
Saúde) gasta R$ 19,15 milhões por ano com diagnóstico e tratamento de doenças
causadas pelo tabagismo passivo, enquanto a Previdência Social gasta mais de R$
18 milhões por ano com pensões e benefícios relacionados ao problema.
"O tabaco é uma substância
cancerígena significativa. A lei visa proteger a saúde da população, mas tem
também tem um efeito secundário, que é ajudar que as pessoas parem de fumar,
você vai fechando o cerco contra o tabagismo", explica Gross.
Com a queda do número de fumantes e
de pessoas expostas a fumaça, Gross diz que é natural que haja a queda do
número de doenças cardio-respiratórias, além do câncer.
"É uma forma de prevenção que chamamos de primária, que significa tirar o fator de risco para que o indivíduo desenvolva a doença. Isso claramanete vai ter um impacto na saúde da população, e consequentemente nos gastos com a saúde", diz o especialista.
"É uma forma de prevenção que chamamos de primária, que significa tirar o fator de risco para que o indivíduo desenvolva a doença. Isso claramanete vai ter um impacto na saúde da população, e consequentemente nos gastos com a saúde", diz o especialista.
Fim dos fumódromos
A regulamentação da lei Antifumo em
todo país proíbe também os fumódromos, espaços reservados para fumantes, ponto
criticado pelo presidente da Abrasel-SP (Associação de Bares e Restaurantes de
São Paulo), Percival Maricato. "Não permitir o fumódromo é um
retrocesso", afirma. "É um alarmismo, um moralismo fajuto, essa
questão de não permitir que o sujeito fume em um lugar protegido, onde a fumaça
não atinja os outros."
Segundo estudos divulgados pelo INCA,
os sistemas de ventilação e exaustão propostos para controlar e fazer com que a
fumaça se espalhe são ineficientes, e não há tecnologia no mercado que reduza
os poluentes que causam câncer a níveis aceitáveis.
Mas para Maricato, a medida restringe
a liberdade dos clientes e traz um "transtorno imenso" para os donos
de estabelecimento, que não conseguem oferecer conforto nem segurança para seus
frequentadores. "É uma estupidez. Nessas baladas com 2 mil pessoas, por
exemplo, com certeza 200, 300 delas são fumantes. Aí elas vão fumar na rua,
conversar e incomodar os vizinhos, e vem o PSIU e multa o estabelecimento. Não
tem para onde correr", critica.
Modelo paulista
As novas regras seguem o modelo da Lei nº 13.541/09 de São
Paulo, que há cinco anos proíbe o consumo de fumígenos em locais total ou
parcialmente fechados. A multa, entretanto, é mais amena no Estado paulista, de
R$ 1.007 na primeira ocorrência, dobrando em caso de reincidência. Na terceira
vez, o estabelecimento é interditado por 48 horas, e na quarta o fechamento é
por 30 dias.
Em vigência desde agosto de 2009, São Paulo multou 2.854 estabelecimentos por não
respeitarem a lei. São Paulo foi a cidade que teve o maior número de
multas (847), seguida da Baixada Santista (327), Campinas (220), Grande ABC
(206) e Franco da Rocha (129).
Para fiscalizar os estabelecimentos, o governo paulista criou
junto com a lei um "time de elite" de 500 fiscais ligados à
Vigilância Sanitária.
Com a lei nacional, as vigilâncias sanitárias dos Estados e municípios ficarão
encarregadas de fiscalizar o cumprimento da legislação. Em Belo Horizonte, a
fiscalização entrará na rotina dos 154 agentes da Vigilância Sanitária, que
continuarão a fazer as visitas de rotina, mas que também irão verificar
denúncias da população.
Já os donos de estabelecimentos podem distribuir material
informativo entre seus frequentadores, e em casos mais extremos podem chamar
até a polícia, caso algum cliente insistam em fumar.
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