A Justiça Federal determinou a quebra
do sigilo bancário e fiscal do ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu, do irmão
dele Luiz Eduardo de Oliveira e Silva e da empresa JD Assessoria e Consultoria
Ltda., que pertence aos dois. Para o Ministério Público Federal, há indícios de
que a empresa tenha recebido recursos de empreiteiras ligadas ao esquema de
corrupção na Petrobras, desvendado pela Operação Lava Jato.
De acordo com a decisão, a JD
Assessoria e Consultoria receberam, entre 2009 e 2013, R$ 3.761.000,00, da
construtora Galvão Engenharia, OAS e UTC Engenharia. As três empresas tiveram
executivos presos no início de dezembro, quando foi deflagrada a sétima fase da
Lava Jato.
Com a quebra de sigilo, os procuradores
querem saber se os pagamentos feitos à JD Assessoria e Consultoria foram para o
pagamento de propinas, tal como ocorria em empresas de fachada comandadas pelo
doleiro Alberto Youssef, também preso na Operação Lava Jato.
A quebra do sigilo fiscal foi
autorizada entre o período de 1º de janeiro de 2005 a 18 de dezembro de 2014.
Já o sigilo bancário foi quebrado entre 1º de janeiro de 2009 e 18 de dezembro
de 2014.
O MPF chegou à empresa de Dirceu ao
analisar documentos contábeis das empreiteiras. Em uma das lisas, da Galvão
Engenharia, aparece a rubrica genérica de "consultoria", para
justificar pagamentos mensais de R$ 25 mil à JD Assessoria e Consultoria. O
total desses pagamentos soma R$ 725 mil. Da mesma forma, nos livros da OAS, os
procuradores encontraram pagamentos mensais de R$ 30 mil, que totalizaram
outros R$ 720 mil.
No caso da UTC, foram encontrados
apenas dois pagamentos. Um no valor de R$ 1.337.000,00, em 2012, e outro de R$
939 mil, feito em 2013. Em ambos, a justificativa anotada nos documentos era de
"consultoria, assessoria e auditoria".
(Estadão) Disposto a medir forças dentro do PT e a escancarar
críticas à política econômica do governo Dilma Rousseff, o ex-ministro da Casa
Civil José Dirceu tenta reaglutinar o seu grupo no partido. Dois anos após ser
condenado no processo do mensalão e cumprindo pena em casa desde novembro,
Dirceu recebe com frequência deputados, senadores e dirigentes que se queixam
do governo e pregam mudanças na legenda.
Os movimentos do petista
têm o objetivo de articular a formação de um novo campo político no PT, que
pode culminar em seu afastamento da corrente Construindo um Novo Brasil (CNB),
majoritária no partido. Embora tenha sido condenado em 2012 a 7 anos e 11 meses
de prisão por corrupção ativa, Dirceu ainda se considera forte no PT e quer
reunir, após o carnaval, militantes de diferentes tendências. Até agora, ele já
conversou com cerca de 30 deputados, sete senadores e correligionários de
vários Estados em sua casa no Lago Sul de Brasília, onde cumpre a prisão
domiciliar.
Até mesmo parlamentares
da corrente Mensagem ao Partido - integrada pelo titular da Justiça, José
Eduardo Cardozo, seu desafeto - e de grupos do PT mais à esquerda no espectro
ideológico, já se reuniram com o ex-ministro. Nas conversas reservadas, às
vésperas da comemoração de 35 anos do PT, que serão completados em fevereiro,
Dirceu diz que sua intenção é discutir os rumos do partido antes de seu 5.º
Congresso. O encontro de Salvador, em junho, vai nortear as ações do petismo
nos próximos anos e deve fazer uma autocrítica sobre a sucessão de escândalos
que se abateram sobre a legenda.
Padrinho de Renato
Duque, ex-diretor da Petrobrás que teve o nome envolvido na Operação Lava Jato,
da Polícia Federal, Dirceu tem afirmado aos interlocutores que o PT e o governo
Dilma estão na defensiva e não sabem reagir à oposição. Critica abertamente a
direção do PT, a presidente Dilma, a equipe econômica e os ministros Aloizio
Mercadante (Casa Civil), Miguel Rossetto (Secretaria Geral da Presidência) e
Pepe Vargas (Secretaria de Relações Institucionais), encarregados da
articulação política com o Congresso.
Na terça-feira, Dirceu
publicou em seu blog um texto criticando as recentes medidas econômicas do
governo. "O aumento de impostos e dos juros são apenas consequências,
desdobramentos da busca de um superávit de 1,2% do PIB este ano",
escreveu. "A elevação dos juros visa derrubar a demanda e vem casada com o
aumento do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) para os empréstimos às
pessoas físicas. Aí, também, refreando o consumo. Caminhamos assim -
conscientemente, espero, por parte do governo - para uma recessão com todas as
suas implicações sociais e políticas."
Dirceu está ressentido
com a cúpula do PT, porque se sentiu abandonado durante o julgamento do Supremo
Tribunal Federal (STF). A portas fechadas, a posição do ex-todo poderoso chefe
da Casa Civil é parecida com a da senadora Marta Suplicy (PT-SP). Em entrevista
ao Estado, Marta foi enfática:
"Ou o PT muda ou acaba". Um amigo que esteve com Dirceu recentemente
diz que o ex-ministro de Lula tem "energia para brigar" e quer se
"reinventar". Segundo esse interlocutor, Dirceu tem uma posição
crítica em relação ao atual processo político e à cúpula do governo.
Restrições. O cumprimento da sentença do
mensalão em regime de prisão domiciliar impõe restrições à atuação de Dirceu.
Ele não pode, por exemplo, sair de Brasília sem autorização do Supremo. Deve
ficar em casa das 21 às 5 horas, é proibido de frequentar bares e de realizar
encontros com outros condenados que estejam cumprindo pena.
O pedido de prisão
domiciliar foi mais um ponto de atrito de Dirceu com o comando do PT.
Dirigentes do partido e até emissários de Lula chegaram a pedir a ele que só
apresentasse esse pedido após a campanha da reeleição de Dilma, para não dar
discurso ao PSDB, reavivando o mensalão. Dirceu não aceitou. Agora, ele escreve
o livro Tempos de Papuda, sobre sua passagem pelo presídio do Distrito Federal.
Anônimo disse...
O
Zé Guerrilha é fanático, melhor doente mesmo.
Ele quer voltar para puder, eleger o nove dedos em 2018, um governo que "não rouba e não deixa roubarrrrrr" (sotaque do interior de passa quatro, passa 10, passa mil e toda a CORJA do PT.
Ele quer voltar para puder, eleger o nove dedos em 2018, um governo que "não rouba e não deixa roubarrrrrr" (sotaque do interior de passa quatro, passa 10, passa mil e toda a CORJA do PT.
Em nota, José Dirceu confirma que prestou serviços de
consultoria às empresas citadas no documento da Justiça Federal. O ex-ministro
ainda se colocou à disposição para prestar esclarecimentos ao Judiciário.
Fonte: Com informações do G1
Publicado Por: Fábio Carvalho
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