O
doleiro Alberto Youssef – peça-chave das investigações na Petrobrás – entregou
em sua delação premiada planilha com registro de contratos que totalizam R$
31,6 bilhões, assinados por empreiteiras do cartel a partir de 2004 para 11
obras da estatal. Segundo ele, do valor global desses contratos foram pagas
propinas de 1% ao PP, um dos partidos mais contemplados pelo esquema de desvios
na petrolífera. A planilha indica, em valores não corrigidos, pagamentos de R$
316 milhões.
Investigadores
da Operação Lava Jato acreditam que essa seria a cota do PP no esquema de
corrupção desbaratado pela operação da Polícia Federal a partir de março de
2014. A planilha, registrada em duas folhas anexadas ao termo de delação do
doleiro, indica 15 pagamentos da Petrobrás a empreiteiras do cartel.
Youssef citou 15 empreiteiras como pagadoras de “comissões”. “Os
pagamentos de comissões feitos pelas mesmas o foram tanto em espécie, como por
intermédio de contratos feitos junto a GFD, junto às empresas de Leonardo
Meirelles, dentre elas a KFC Hidrossemeadura”, relatou. “Foram feitos
pagamentos no exterior junto às contas de Leonardo Meirelles, em especial pela
Odebrecht. Pode citar as contas das empresas RFY e DGX junto aos bancos
Standardt Cartered e HSBC, em Hong Kong”, detalhou.
Além da
Odebrecht, a planilha cita as empreiteiras OAS, Queiroz Galvão, Tomé
Engenharia, Toyo Setal, Engevix, Galvão Engenharia, Serveng, Fidens,
Construcap, MPE, Andrade Gutierrez, UTC, Mendes Júnior e Camargo Corrêa.
A GFD e as
outras três empresas ligadas à Meirelles – também réu da Lava Jato – integravam
a rede de lavagem de dinheiro criada por Youssef para operar os desvios na
Petrobrás, por meio de notas frias, e regularizar esse dinheiro não declarado
por meio de operações financeiras fictícias ou por intermédio do câmbio negro.
Obras. A planilha transcende o esquema de cartel nas obras da Refinaria Abreu e Lima (PE) e do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj) – alvos iniciais da Lava Jato.
A obra que envolve o maior valor de propina da planilha – R$ 90 milhões – é da Refinaria Henrique Lage (Revap), em São José dos Campos (SP). Segundo indica a planilha de Youssef, o valor da obra “era previsto” para R$ 3,5 bilhões e depois subiu para R$ 6,7 bilhões. “Mas foram R$ 9 bilhões ao todo.” Disso, 1% era do PP.
VEJA TRECHO DA PLANILHA ENTREGUE POR YOUSSEF
Segundo a Lava Jato, o PT arrecadava até 2% nesses contratos, por meio do ex-diretor de Serviços Renato Duque e do tesoureiro do partido, João Vaccari Neto. Eles negam.
A contratação na Revap – 3.ª maior refinaria do País -, entre 2005 e 2012, foi para obras de ampliação e modernização. Youssef atribuiu o pagamento de “comissões” ao Consórcio BCV – formado pelas empreiteiras MPE, Camargo Corrêa e Promon – e à OAS. Todas são investigadas por formação de cartel.
Outra obra da lista é a construção da Refinaria Premium I, em Bacabeira (MA), anunciada em 2010 e ainda inconclusa.
VEJA OUTRO TRECHO DA PLANILHA ENTREGUE POR YOUSSEF
O doleiro registrou em sua delação que a planilha não representa a totalidade dos valores movimentados por ele em propina. O documento será aditado com novas informações.
A planilha cita ainda contratos das refinarias Landulpho Alves, na Bahia, Capuava, em Mauá (SP), Duque de Caxias, no Rio, Alberto Pasqualini, no Rio Grande do Sul, Gabriel Passos, em Minas, Isaac Sabbá, em Manaus, Presidente Getúlio Vargas, no Paraná, Presidente Bernardes, em Cubatão (SP), e Paulínia (SP).
PP
O Partido Progressista informou em nota que está à disposição da Operação Lava Jato para “colaborar”. “(O partido) somente poderá se posicionar após tomar conhecimento oficial sobre os depoimentos que envolvem a legenda. Entretanto, está à disposição das autoridades para colaborar com as investigações.”
CONSTRUTORAS
As construtoras envolvidas negaram, por meio de notas, qualquer envolvimento com os crimes de lavagem de dinheiro e desvios em contratos. A Odebrecht, a Camargo Corrêa,a Construcap, a Andrade Gutierrez e a UTC rechaçaram as acusações e negam propina no caso “A Odebrecht nega as alegações caluniosas”.
As construtoras envolvidas negaram, por meio de notas, qualquer envolvimento com os crimes de lavagem de dinheiro e desvios em contratos. A Odebrecht, a Camargo Corrêa,a Construcap, a Andrade Gutierrez e a UTC rechaçaram as acusações e negam propina no caso “A Odebrecht nega as alegações caluniosas”.
A Camargo Corrêa informou que “repudia as acusações sem comprovação e reitera que segue à disposição das autoridades e tem prestado as informações solicitadas”.
A Andrade Gutierrez divulgou que “nunca fez parte de qualquer acordo de favorecimento envolvendo partidos políticos” nas obras da Petrobrás.
“A UTC repudia veementemente boatos e tentativas de relacioná-la ao pagamento de propina.”
A Mendes Júnior, não foi localizada, mas por meio da defesa do executivo Sérgio Cunha Mendes, tem sustentado nos autos da Lava Jato que foi vítima de “achaque” e apontou Alberto Youssef como um dos responsáveis.
A Tomé Engenharia disse que seus “relacionamentos comerciais sempre se deram no âmbito da mais estrita legalidade, e lisura.”
Por meio de nota, a Construcap alegou que “jamais teve conhecimento de sua inclusão em qualquer lista de suposto pagamento de propina” e que “nunca pagou propinas visando à obtenção de contratos com a Petrobras, sempre tendo se valido de meios legítimos e idôneos para participar das suas licitações.”
As demais não foram localizadas para comentar o caso.
0 comentário "Obras de R$ 31 bilhões geraram propina ao PP, diz Youssef"
Postar um comentário
Deixe seu comentário