Considerado
uma eterna pedra no sapato da presidente Dilma Rousseff, o novo presidente da
Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB), disse neste domingo ser “descabido”
pautar qualquer pedido de impeachment contra a petista, ainda que o escândalo
do petrolão tenha ocorrido em parte de seu mandato. De acordo com o
peemedebista, como as denúncias de cobrança de propina e fraudes em contratos
com a Petrobras envolvem um mandato já concluído, não haveria razão para se
discutir um pedido de afastamento da petista.
Não há a menor possibilidade de
minha parte. Não há de se discutir fatos de um mandato anterior. Todos querem
que o país siga sua estabilidade. “Pedido de impeachment ou qualquer coisa
nesse sentido é descabido”, disse. Qualquer cidadão ou entidade da sociedade
civil pode pedir o impeachment de um presidente, mas é prerrogativa do
presidente da Câmara avaliar o cabimento do pedido, podendo engavetá-lo
sumariamente.
Eduardo
Cunha voltou a afirmar que sua candidatura representa a “independência” em
relação ao Palácio do Planalto e disse que, para ser eleito, “enfrentou tudo e
todos”.
Briga
por espaço – Sem nenhum cargo na cúpula da Câmara dos Deputados, o PT agora vai
tentar convencer algum de seus aliados a renunciar a uma das três cadeiras que
o partido teria direito, mas acabou cedendo às legendas que apoiaram Arlindo
Chinaglia (SP) na disputa. Ao comentar a derrota, Chinaglia disse há um
acordo para que o PT ocupe a vaga. “Quando o bloco foi formado, ficou
estabelecido que se eu ganhasse, o partido abriria a mão das suas vagas na
Mesa. Agora, como nós não ganhamos, evidentemente o PT vai ter uma vaga. Isso
foi combinado”, disse.
Ao
menos oficialmente, o possível próximo líder do PT, Sibá Machado (AC), discorda
da proposta. “Se depender de mim, este assunto está encerrado. Nós já temos
problemas demais. Não vamos pedir algo assim”, disse.
Eram 18h47 da
tarde deste domingo quando o deputado Eduardo Cunha (RJ), um rebelde na
governista bancada do PMDB, encerrou seu discurso na tribuna da Câmara dos
Deputados sob o coro de “presidente” e forte aplauso. “Temos que nos dar o
respeito para ser respeitados”, discursou o peemedebista. No fundo do plenário,
um grupo de deputados da oposição comentava animadamente: “Vai ser pior do que
o governo pensava”. E foi. Com 267 votos – dez a mais do que o mínimo
necessário –, Cunha foi eleito presidente da Câmara, o segundo cargo na
sucessão da presidente Dilma Rousseff, atrás apenas do vice-presidente da
República.
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