Pobreza
no Maranhão: a principal herança de Sarney
Possui a segunda pior taxa de mortalidade
infantil do país, apenas atrás de Alagoas, com 29 crianças com
menos de um ano mortas para cada mil nascidas vivas. A média nacional é de 16,7
para 1000. A menor taxa está, novamente, em Santa Catarina (9,2/1000).
As três
piores cidades em renda per capita pertencem ao Maranhão, de acordo
com o recentemente divulgado Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM)
– Marajá do Sena (R$ 96,25), Fernando Falcão (R$ 106,99) e Belágua (R$ 107,14).
Na média dos municípios, o Estado possui o segundo pior IDHM do país, perdendo
apenas para Alagoas – outra terra devastada pelo coronelismo.
Dizem
que não é educado falar de quem está doente. Mas a influência dos atos de uma
figura pública não deixa de existir quando ela está afastada de suas funções,
aposentada ou foi desta para a melhor.
Sem
desmerecer todas as denúncias de corrupção, nepotismo, desvio de verbas
públicas, entre outras, que recaem contra o ex-presidente da República e do
Senado, a miséria em que se encontra boa parte do povo maranhense já era motivo
suficiente para qualquer brasileiro bradar “Fora Sarney!”
Corrupção
na máquina pública e exploração da pobreza, por ação direta e indireta ou
inação, estão intimamente relacionados, mas infelizmente é mais fácil cassar
alguém pelo primeiro delito do que pelo segundo. O Maranhão, sob o domínio dos
Sarney por décadas, não só permaneceu nas piores posições nos indicadores
sociais, mas também viu suas terras serem desmatadas e poluídas, latifúndios
crescerem, trabalhadores serem escravizados e assassinados, comunidades
tradicionais serem ameaçadas e expulsas, a educação ser sucateada, os meios de
comunicação ficarem concentrados nas mãos de poucos políticos.
Isso é
assustador, considerando que o Maranhão é um Estado rico. Possui jazidas
minerais e gás natural. Água doce em abundância. Partes de seu território estão
na Amazônia e no Cerrado. Tem localização privilegiada, com um porto mais
próximo dos Estados Unidos e da União Europeia do que os do Sul e Sudeste.
Alguns
vão colocar a culpa na própria população que os elege. Não é tão simples –
Sarney teve que fugir e virar senador pelo Amapá para não ficar fora do jogo
político em um determinado momento. E sua filha, Roseana, já perdeu uma eleição
para o governo. O Maranhão possui importantes movimentos sociais e uma
sociedade civil cada vez mais atuante, como tenho acompanhado em constantes
visitas ao Estado nos últimos dez anos. O problema é o desalento de boa parte
da população mais pobre, que – infelizmente – já não acredita que a política
possa fazer diferença em sua vida. Independentemente de quem lá estiver.
Dilapidação
da esperança. Talvez, seja a pior herança deixada pelo clã.
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